Fama A descobri solitária em um palco recém esvaziado, pop star abandonada pela fama passageira, canta "I´m Like a Bird" mas preferia entoar uma canção nativa, expressa sentimento estranho para que não seja entendida em sua própria lingua. Revelei meu sentimento humilde de um coração recém largado, senti-me como um passaro perdido mas preferia soar mais firme para dizer que a tive, e assim me perdi em minha própria sina. Deixei que só também partisse e me deparei solitário em seu palco apagado, pobre estar assim abandonado.
Marcelo Soares
Camafunga soprou estas palavras ao vento às
12:35 AM
30.12.03
A Queda
Ao crer-se especial, poderoso, melhor, mais sábio, inteligente, santo ou puro, perde-se a noção da insignificância dentro da escala que vai do micro ao macrocosmos.
Francisco M. Silva soprou estas palavras ao vento às
1:39 PM
28.12.03
Passei um silêncio tanto
que não vim
porque a voz fugia
soluçava em vão
atropelada pelo tempo
tragada por uma maré
de sentimentos ainda
indecifráveis
frases se formavam
e me escapavam
por entre os dedos
voláteis
idéias soltas
que em redemoinho me deixaram
assim, no centro de tudo
sem entender nada
sem pescar uma só rima
digna de ser
declamada.
Vento, bom vento...
Devolva-me o verbo!
Traz de volta
o rebento que me inspira
e me arranca desta
inércia
deste transe
que emudece a voz
da minha alma...
CoRa soprou estas palavras ao vento às
9:40 PM
22.12.03
A Arte da Alma
O objetivo da arte é projetar uma visão interior para o mundo; declarar, em uma criação estética, o espírito mais íntimo e as experiências pessoais de um sr humano. É permitir que essas experiências sejam inteligíveis e geralmente reconhecidas dentro da estrutura total de um mundo ideal.
A arte revela no entendimento psíquico da essência interior das coisas e dá forma à relação do homem com o nada ( Tao ), com a natureza do absoluto.
A arte é uma expressão da vida e transcende o tempo e o espaço. Devemos empregar nossa própria alma através da arte parta oferecer uma nova forma e um novo significado para a natureza ou para o mundo.
A expressão de um artista é a exibição de sua alma, educação e compostura. Por trás de todos os movimentos, a música de sua alma se torna visível.
Caso contrário, seus movimentos são vazios, e movimentos vazios são como palavras vazias: não têm sentido.
Elimine o pensamento confuso e trabalhe a partir de sua raiz.
A arte nunca é decorativa, ornamental. Ela é um trabalho de esclarecimento. A arte, em outras palavras, é uma técnica para adquirir liberdade.
A arte demanda o domínio completo das técnicas desenvolvidas pela reflexão dentro da alma.
"Arte natural" é o processo artístico dentro do artista. Seu significado é "arte da alma". Todos os vários movimentos de todas a ferramentas significam um passo no caminho para o mundo estético absoluto da alma.
Criação, na arte, é a revelação psíquica da personalidade que está enraizada no nada. Seu efeito é um aprofundamento da dimensão pessoal da alma.
A arte natural é a arte da alma em paz, como o luar refletido em um lago. O objetivo final do artista é usar sua atividade diária para se tornar um mestre da vida e, então, tirar proveito da arte da vida. O mestres de todas as ramificações das artes devem, primeiro, ser mestres da vida, já que a alma ( psiké ) cria tudo.
Todas as noções vagas devem sucumbir antes que um aprendiz possa se autodenominar mestre.
A arte é o caminho para o absoluto e para a essência da vida humana. O objetivo da arte não é a promoção unilateral do espírito, da alma e dos sentidos, mas sim a abertura de todas as capacidades humanas ( pensamento, sentimento, vontade ) para o ritmo da vida no mundo da natureza. Assim, a voz silenciosa será ouvida e o ego será harmonizado com ela.
Habilidade artística, portanto, não significa perfeição artística. Ela representa um meio contínuo ou um reflexo de algum passo no desenvolvimento psíquico, cuja perfeição não deve ser encontrada no aspecto e no formato, mas deve irradiar da alma humana.
A atividade artística não se encontra na própria arte. Ela penetra em um mundo mais profundo no qual todas as formas de arte ( de coisas vividas internamente ) fluem juntas, e onde a harmonia da alma e do cosmos no nada possui seu resultado na realidade.
O processo artístico, portanto, é a realidade, e a realidade é a verdade.
Bruce Lee
Francisco M. Silva soprou estas palavras ao vento às
4:01 PM
19.12.03
A matemática é criada ou descoberta?
"Se acreditamos em Deus, a resposta é obvia. As verdades matemáticas já existem na mente do SF (Deus) e nós limitamo-nos a redescobri-las. Lembrem-se do poema humorístico:
Havia um homem que dizia "Deus
Sempre me pareceu estranho
Que a árvore do sicômoro
Simplesmente deixasse de existir
Quando não estivesse ninguém no pátio."
"Caro senhor, o seu espanto é estranho;
Eu estou sempre no pátio:
E é por isso que a árvore
Continua a existir,
Uma vez que é observada pelo,
Fielmente seu, Deus".
"Não sou competente para dizer se Deus existe ou não. Tenho algumas dúvidas que exista. No entanto, estou sempre a dizer que o SF (Deus) tem um Livro transfinito - sendo transfinito um conceito matemático que significa maior que o infinito - que contém as melhores demostrações de todos os teoremas matemáticos, demonstrações que são elegantes e perfeitas".
(Erdös, cit in Hoffman, 2000:30)
Francisco M. Silva soprou estas palavras ao vento às
11:21 AM
18.12.03
E andava eu por uma calçada quando de repente alguém me toca no braço e pergunta:
- Que lugar é esse?
Eu, meio que sem entender direito respondo:
- Menino Deus, Porto Alegre...
A pessoa insiste, sacudindo a cabeça como se eu não estivesse entendendo nada:
- Que lugar é esse???
Desisti e segui caminhando rumo ao meu trabalho. Mas, é lógico, paranóico como sou, fiquei pensando na pergunta feita pela mulher de olhos claros e assustados. Contudo, tristes.
Que lugar é esse?
Que lugar é esse?
Que lugar é esse?
Por um momento ri da resposta que ia dar e rindo me esqueci do que ia falar...
Fiquei contemplando a paisagem pelo caminho...
...carros, pessoas apressadas, folhas de um jornal pelo chão...e eu ali, pensando no que ia dizer e não disse.
Os carros correm para onde?
As pessoas correm para quê?
As notícias sempre são as mesmas...
As esperanças tornam-se desespero.
Segui caminhando e rezando para que encontrasse alguém que pudesse me responder...
- Que lugar é esse???
Antonio Esperança
* baseado na música de Vitor Ramil.
soprou estas palavras ao vento às
10:54 PM
Crise de valores leva classe média ao crime
Uma crise de valores contribui para a participação de
jovens de classe média em quadrilhas do crime organizado
e em episódios marcados pela violência Essa é a opinião
do antropólogo Gilberto Velho, 54, professor-titular do
Museu Nacional (instituição da Universidade Federal do
Rio de Janeiro) que, nas últimas três décadas, fez
estudos sobre o que chama de camadas médias.
Nas últimas três semanas, três fatos fizeram a classe
média carioca se perguntar se o perigo não está mais
perto do que imagina. Primeiro, F.B., um garoto de 17
anos, educado em tradicional colégio alemão, foi
assassinado com mais cinco jovens. Local: um morro da
zona sul, para onde se mudara a fim de traficar drogas.
Depois, Maurício Chaves da Silveira, o Mauricinho
Botafogo, 25, foi preso sob acusação de participar de um
bando dedicado a assaltos a apartamentos de vários
Estados. Filho do dono de uma agência de turismo e
cambio do Rio, já cumprira um ano de prisão por assalto
em Blumenau (SC).
Por último, o lutador de jiujitsu Ryan Gracie, 25, foi
apontado como pivô de uma briga numa casa noturna de
classe média-alta. Um homem foi ferido no tórax por uma
navalha ou canivete.
Casos como esses criaram a sensação de que nunca o crime
foi tão tentador a jovens de classe média. Dados
parciais e obtidos com critérios pouco definidos da
Justiça sugerem que há mais gente de classe média no
crime, mas os levantamentos são inconclusos.
Pesquisa da Secretaria de Estado da Justiça do Rio
constata que a pobreza não é fator determinante da
criminalidade. Segundo os dados, 81% dos presos de 18 a
24 anos no sistema penitenciário estadual tiveram o
sustento de suas casas assegurado pelo pai, a mãe ou
ambos. De todo modo, os pobres continuam sendo as
maiores vitimas da violência, como afirmou Gilberto
Velho na entrevista à Folha
* * *
Folha - Como analisa a pesquisa da Secretaria da Justiça?
Gilberto Velho - Não foi surpresa. A variável pobreza é
muito importante na construção do campo propício ao
desenvolvimento da criminalidade, mas não a única É um
preconceito grande imaginar que a pessoa pobre é uma
criminosa em potencial.
Folha - O motivo mais citado por condenados para aderir
à marginalidade foi o desejo de consumir. Como o
consumismo se manifesta na classe média?
Velho - A questão do consumismo afeta várias classes
sociais, mas sobretudo as camadas médias. Os jovens de
camadas médias, que motivações eles têm? O estudo é uma
motivação absolutamente secundária. O que existe como
motivação fundamental é adquirir bens materiais, ter
dinheiro, coisas.
Folha - E isso é novidade?
Velho - Você não precisa ser uma pessoa nostálgica de um
idílico passado para saber que até um tempo não tão
remoto se encontravam na juventude outras preocupações:
com participação política, o país, o estudo, a cultura.
Folha - Como o senhor analisa casos como os de
Mauricinho Botafogo, da favela Cerro-Corá e da turma de
jiujitsu?
Velho - Há uma crise de valores. Esses exemplos mostram
o tipo de individualismo que se desenvolveu no Brasil,
no capitalismo contemporâneo. Está ligado ao tipo de
visão de mundo absolutamente materialista.
Folha - Além do tráfico de drogas, que outros motivos
influenciam a adesão de jovens de classe média ao crime?
Velho - Isso que a gente chama de ordem moral, nível de
valores, a questão dos símbolos, acho que isso tem sido
subestimado na análise da violência. Você não tem no
Brasil nenhuma ordem tradicional, baseada, por exemplo,
em valores religiosos. Nós não temos isso, só em alguns
setores da sociedade, mas não é mais poderoso como foi.
Não temos o valor cidadania.
Folha - A desagregação familiar contribui para essa
cultura?
Velho - A família vive uma situação de transição. As
famílias nucleares - pai, mãe e filhos, basicamente -
têm pouca capacidade de socializar seus filhos. Na
família extensa ampliada, com avós, tios, sobrinhos,
amigos da família, você tinha outras referências e
mecanismos que faziam estabelecer certos laços de
lealdade. O universo social era mais ampliado. Hoje em
dia isso está muito enfraquecido.
Folha - Que tipo de consequência a família menor, mais
isolada, provoca?
Velho - A família não cumpre as mesmas funções que
cumpria há 50 anos. A escola também não. Você valoriza o
sucesso material em todos os meios de comunicação. As
pessoas não têm os meios de realização desse sucesso.
Que meios vão implementar? Ilícitos. Que valores há para
que não façam isso? Até que ponto os valores familiares
são fortes para contrabalançar essa mensagem
individualista do sucesso?
Folha - Esses valores não levam necessariamente ao crime.
Velho Não precisa ser o crime caracterizado como crime,
mas a transgressão, táticas e estratégias menos
límpidas, menos honestas. Aquela coisa de querer levar
vantagem em tudo, de querer se dar bem, passar a perna.
Folha - Esses valores influenciam as gangues de artes
marciais que vão às ruas e às casas noturnas para brigar?
Velho - O esporte é uma coisa importante. A motivação é
fundamental, se for associada a determinados valores: de
comunidade, grupo, sociabilidade, realização pessoal,
aperfeiçoamento.
Folha - Na sua tese de doutorado, em 1975, 0 senhor
tratou o consumo de drogas pela classe média como uma
questão de liberdade individual. Mantém a ótica, mesmo
considerando que o consumidor integra a cadeia do
tráfico, marcada por violência, mortes, barra pesada?
Velho - Alguns meninos e meninas que fumam maconha no
final de semana, isso não causa dano social maior. O
problema é quando isso se articula com uma rede de
tráfico.Se você tem outras condições de vida social,
outras estruturas funcionando, outras perspectivas, O
problema das drogas poderia ser um problema menor. O
problema não é a trouxinha de maconha, mas a
metralhadora.
Folha - O senhor mantém-se favorável à descriminalização
do consumo de drogas?
Velho - A descriminalização é uma coisa fundamental. O
uso de drogas do modo atual é expressão de crise de
valores, crise moral. Tem a ver com uma estrutura
econômica e política que faz com que haja espaço para o
tráfico de drogas e de armas.
Folha - O tráfico é a porta de parcela da classe média
para entrar na criminalidade. Há passoas que abandonaram
as drogas para não participar da cadeia que inclui o
tráfico.
Velho - Eu sei de pessoas que deixaram de usar até
drogas leves porque não queriam participar dessa máquina
criminosa. O problema é que não existe um projeto
internacional para combater a máquina de drogas e armas.
E é absurdo prender qualquer pessoa que seja porque está
fumando maconha.
Publicado na Folha de São Paulo, 21 de janeiro de 2000.
Francisco M. Silva soprou estas palavras ao vento às
8:45 AM
16.12.03
HARMONIADASDIFERENÇAS
Você já pensou que o nosso grande problema, nas relações pessoais, é que
desejamos que os outros sejam iguais a nós?
Em se falando de amigos, desejamos que eles gostem exatamente do que
gostamos, que apreciem o mesmo gênero de filmes e música que constituem o
nosso prazer.
No âmbito familiar, prezaríamos que todos os componentes da família fossem
ordeiros, organizados e disciplinados como nós.
No ambiente de trabalho, reclamamos dos que deixam a cadeira fora do lugar,
papel espalhado sobre a mesa e que derramam café, quando se servem.
Dizemos que são relaxados e que é muito difícil conviver com pessoas tão
diferentes de nós mesmos. Por vezes, chegamos às raias da infelicidade, por
essas questões.
E isso nos recorda da história de um menino chamado Pedro. Ele tinha
algumas
dificuldades muito próprias.
Por exemplo, quando tentava desenhar uma linha reta, ela saía toda torta.
Quando todos à sua volta olhavam para cima, ele olhava para baixo. Ficava
olhando para as formigas, os caracóis, em sua marcha lenta, as florzinhas
do caminho.
Se ele achava que ia fazer um dia lindo e ensolarado, chovia. E lá se ia
por água abaixo, todo o piquenique programado.
Um dia, de manhã bem cedo, quando Pedro estava andando de costas contra o
vento, ele deu um encontrão em uma menina, e descobriu que ela se chamava
Tina. E tudo o que ela fazia era certinho.
Ela nunca amarrava os cordões de seus sapatos de forma incorreta nem virava
o pão com a manteiga para baixo.
Ela sempre se lembrava do guarda-chuva e até sabia escrever o seu nome
direito.
Pedro ficava encantado com tudo que Tina fazia. Foi ela que lhe mostrou a
diferença entre direito e esquerdo. Entre a frente e as costas.
Um dia, eles resolveram construir uma casa na árvore. Tina fez um desenho
para que a casa ficasse bem firme em cima da árvore.
Pedro juntou uma porção de coisas para enfeitar a casa. Os dois acharam
tudo muito engraçado. A casa ficou linda, embora as trapalhadas de Pedro.
Bem no fundo, Tina gostaria que tudo que ela fizesse não fosse tão
perfeito.
Ela gostava da forma de Pedro viver e ver a vida.
Então Pedro lhe arranjou um casaco e um chapéu que não combinavam. E toda
vez que brincavam, Tina colocava o chapéu e o casaco, para ficar mais
parecida com Pedro.
Depois, Pedro ensinou Tina a andar de costas e a dar cambalhotas.
Juntos, rolaram morro abaixo. E juntos aprenderam a fazer aviões de papel e
a fazê-los voar para muito longe.
Um com o outro, aprenderam a ser amigos até debaixo d'água. E para sempre.
Eles aprenderam que o delicioso em um relacionamento é harmonizar as
diferenças.
Aprenderam que as diferenças são importantes, porque o que um não sabe, o
outro ensina. Aquilo que é difícil para um, pode ser feito ou ensinado pelo
outro.
É assim que se cresce no mundo. Por causa das grandes diferenças entre as
criaturas que o habitam.
A sabedoria divina colocou as pessoas no mundo, com tendências e gostos
diferentes umas das outras.
Também em níveis culturais diversos e degraus evolutivos diferentes.
Tudo para nos ensinar que o grande segredo do progresso está exatamente em
aprendermos uns com os outros, a trocar experiências e valorizar as
diferenças.
( Desconheço o autor )
Francisco M. Silva soprou estas palavras ao vento às
11:39 AM
15.12.03
Tens como Hamlet, o pavor do desconhecido?
Mas o que é conhecido? O que é que tu conheces,
Para que chames conhecido a qualquer coisa em especial?
Tens, como Falstaff, o amor gorduroso da vida?
Se assim a amas materialmente, ama-a ainda mais materialmente
Torna-te parte carnal da terra e das coisas! "- E que saia à balada com os amigos, então a comemorar a chegada não aguardada do
Filho do Homem enquanto as crianças esperam o velho de agasalho vermelho ( aquele que trabalha para uma marca de refrigerante )
Em pleno verão ( vocês verão )".
Dispersa-te, sistema físico químico
De células noturnamente conscientes
Pela noturna consciência da inconsciência dos corpos,
Pelo grande cobertor não-cobrindo-nada das aparências, "( que é tudo ... Aparência! )"
Pela relva e a erva da proliferação dos seres,
Pela névoa atômica das coisas "- da qual dizem que nada mais somos -",
Pelas paredes turbilhonantes
Do vácuo dinâmico do mundo ...
Álvaro de Campos, desebelezado por Frank Leber.
Francisco M. Silva soprou estas palavras ao vento às
9:30 AM
"O conhecimento baseia-se não somente na verdade, mas no erro também."
Carl Gustav Jung
Revolutions
Arquétipos São imagens recorrentes no inconsciente coletivo (formas-pensamento), que expressam e definem uma situação. São mais que um ícone, pois contêm uma grande carga de emoção (além da informação) que é transmitida a quem vê. Ex: Jesus na cruz simboliza um arquétipo de ser bondoso que sofreu injustamente e resignado, o que causa um efeito anestésico (inconsciente) em quem está passando por provações (por identificação). Já Trinity se tornou (pra muitos) um arquétipo feminino desta geração, assim como Marilyn Monroe o foi para a geração dos anos 60.
Persona É a máscara usada pelo indivíduo em resposta às convenções e tradições sociais e às suas próprias necessidades arquétípicas internas. É o papel que a sociedade lhe atribui, que espera que você represente na vida. O propósito da máscara é produzir uma impressão definitiva nos outros e, muitas vezes, embora não obrigatoriamente, dissimula a verdadeira natureza do indivíduo, em oposição à personalidade privada,que existe por trás da fachada social.
Se o ego se identificar com a persona, como freqüentemente o faz, o indivíduo terá mais consciência do papel que está representando do que de seus sentimentos genuínos. Será sugado pelo personagem, tornando-se um alienado de si mesmo e toda a sua personalidade toma um aspecto superficial e bidimensional. (a persona assemelha-se, em certos casos, ao superego, de Freud)
"Mais cedo ou mais tarde tudo se transforma no seu contrário."
Sombra
A Sombra reside no Inconsciente Pessoal, e é representada pelas idéias, desejos e memórias que foram reprimidos pelo consciente por ser incompatível com a Persona e contrárias aos padrões e ideais sociais. Quanto mais forte for nossa Persona, e quanto mais nos identificarmos com ela, mais repudiaremos outras partes de nós mesmos. A Sombra representa aquilo que consideramos inferior em nossa personalidade e também aquilo que negligenciamos e nunca desenvolvemos em nós mesmos. Em sonhos, a Sombra freqüentemente aparece na forma daquilo que repudiamos. No caso de Neo, um engravatado. :)
Quanto mais o material da Sombra tornar-se consciente, menos ele pode dominar. Entretanto, a Sombra é uma parte integral de nossa natureza e nunca pode ser simplesmente eliminada. Uma pessoa sem Sombra não é uma pessoa completa, mas uma caricatura bidimensional que rejeita a ambivalência presentes em todos nós. Além disso, a Sombra não é apenas uma força negativa na psique. Ela é um depósito de considerável energia instintiva, espontaneidade e vitalidade, e é a fonte principal de nossa criatividade. Lidar com a Sombra é um processo que dura a vida toda, consiste em olhar para dentro e refletir honestamente sobre aquilo que vemos lá.
Projeção A Sombra é mais perigosa quando não é reconhecida pelo seu portador. Neste caso, o indivíduo tende a projetar suas tendências indesejáveis em outros. Um ótimo exemplo:
"Durante mais de 5 anos este homem percorreu a Europa como um louco,em busca de qualquer coisa a que pudesse deitar fogo. Infelizmente sempre haverá mercenários prontos a abrir as portas da sua pátria a este incendiário internacional."
Esta frase não é SOBRE Hitler, e sim DE Hitler, falando sobre Winston Churchil.
Desconfie se sua namorada tiver a paranóia de que você a está traindo, sem você ter dado motivo, ou daquele seu amigo que vive dizendo que todo mundo é gay. A Sombra é o oposto do ego e encarna, precisamente, o traço de caráter que mais detestamos nos outros. E aí lembro do espírito Joana de Ângelis, que diz que o ódio é o amor distorcido. Na verdade, ao odiarmos, estamos sufocando algo que temos dentro da gente (por isso a ressonância) que cultivamos (quem cultiva, ama), mas não admitimos. Se não a cultivássemos, a Sombra não existiria desta forma. Daí a necessidade do caminho do meio, do equilíbrio. Se o ego for bem trabalhado nas 4 funções (pensamento, sentimento, sensação e intuição), não vai sobrar grandes opostos pra Sombra encarnar. No filme Matrix vemos a simbologia da projeção dos medos do inconsciente quando Morpheus fala a Neo sobre os Agentes: "Dentro da Matrix eles são todos e não são ninguém. Nós sobrevivemos nos escondendo deles e correndo deles, mas eles são os porteiros. Eles protegem todas as portas e têm todas as chaves. Cedo ou tarde, alguém terá de lutar com eles".
Anima e Animus Anima (alma, em latim) é a representação feminina no inconsciente do homem (que idéia ele faz, no seu íntimo, da mulher). O caráter da anima é, em geral, determinado pela sua mãe. Se o homem sente que sua mãe teve sobre ele uma influencia negativa, sua anima se manifestará de forma negativa, ou seja, ele poderá ser inseguro, apático, com medo de doenças, de impotência ou de acidentes (se ele conseguir combater essas influencias negativas da Anima, sua masculinidade tende a fortalecer-se). A vida adquire um aspecto tristonho e opressivo, que pode levar o homem até mesmo ao suicídio.
Se, por outro lado, a experiência com a mãe tiver sido positiva, a Anima poderá deixá-lo efeminado ou explorado por mulheres, incapaz de fazer face às dificuldades da vida (menino criado com vó dá nisso!).
A manifestação mais freqüente de Anima é a que toma forma como fantasia erótica, que leva o homem a consumir revistas pornográficas, sex-shows, etc. É um aspecto primitivo e grosseiro da Anima, mas que só se torna compulsivo quando o homem não cultiva suficientemente suas relações afetivas - quando sua atitude para com a vida mantém-se infantil.
Animus (espírito, em Latim) é o lado masculino no inconsciente da mulher. Assim, uma mulher muito feminina tem uma alma masculina não desenvolvida (trabalhada). Em seu relacionamento com o mundo, se ela é impressionável, calorosa, estimulante e envolvente, seu lado masculino interior será muito diferente: duro, crítico, agressivo, prepotente...
O Animus (assim como a Anima) possui 4 estágios de desenvolvimento: o primeiro como personificação da força física (o atleta,a força pelos músculos), no estágio seguinte, como o homem de ação (iniciativa e planejamento). No terceiro, manifesta-se como verbo, como professor, e na quarta e mais elevada manifestação torna-se (assim como a Anima) mediador de uma experiência na qual a vida adquire um novo sentido. Dá à mulher uma firmeza espiritual e um amparo interior, que compensa sua brandura exterior. Relaciona a mente feminina com a evolução espiritual da época, tornando-a assim mais receptiva a novas idéias criadoras do que o homem. É por este motivo que antigamente, em muitos países, cabia à mulher adivinhar o futuro ou a vontade dos Deuses. A audácia criadora do seu Animus positivo expressa, por vezes, pensamentos e idéias que estimulam a humanidade a novos empreendimentos.
Anima/us é também uma Sombra, e como tal pode ser projetada. Isso é feito quando a pessoa apaixona-se logo de cara, quando diz "É essa/esse!" e parece que se conhece essa pessoa há tempos.
Pessoas fascinantemente misteriosas são as mais fáceis do homem/mulher projetar sua Anima/us, pois em torno delas pode-se tecer as mais variadas fantasias. Para sair desta ilusão, é preciso reconhecer o Anima/us como um poder e qualidade interior. O objetivo de todo esse jogo do inconsciente é forçar o ser humano a desenvolver e amadurecer o próprio ser, integrando melhor a sua personalidade inconsciente e trazendo-a à realidade da vida (mesmo que seja através de subterfúgios, como projeções).
"Cada homem sempre carregou dentro de si a imagem da mulher; não a imagem desta ou daquela mulher, mas uma imagem feminina definitiva".
Mas a Anima/us não é só negativa. Ao contrário, uma Anima bem trabalhada pode levar o homem ao seu pleno potencial. A função mais importante da Anima é ajudar a sintonizar a mente masculina com seus valores interiores positivos, assumindo então uma posição de mediadora entre o mundo interior e o Self. E é através deste desejo íntimo de trabalhar aspectos que o homem não possui, que um homem tímido tende a procurar alguém que seja extrovertida. Como no velho ditado "os opostos se atraem", ou a "cara metade", a "banda da laranja".
"Atrás de um grande homem sempre existe uma grande mulher". Verdade, embora o contrário também seja verdadeiro. Vemos este arquétipo de Anima como a salvação, a luz no fim do túnel, no livro A Divina Comédia, onde Beatriz guia Dante através de um (significativo e simbólico) caminho tortuoso e íngreme, que o leva à redenção. Trinity simboliza a Anima de Neo em Matrix, e através dela (direta e indiretamente) ele pôde manifestar suas potencialidades. Na Índia vemos essa dualidade/complementação no casal de Deuses Shiva/Kali e Vishnu/Parvati.
A Anima/us vai muito mais fundo na contraparte da personalidade (lado oposto inconsciente) que a Sombra. Se a imagem da Sombra desperta medo e apreensão, a Anima/us, ao contrário, estimula o desejo de união. A Sombra leva a pessoa de encontro a parte indesejada da psique total, suas qualidades inferiores. Mas não vai além disso, a menos que se deseje ir de encontro com o mal absoluto. A estrutura Anima/Animus leva a pessoa a níveis muito mais profundos do Self, pois está ancorada em aspectos do inconsciente coletivo e arquétipos, não sendo apenas reflexos negativos de si mesmo.
"Nós não podemos mudar nada sem que primeiro a aceitemos."
Individuação É um processo ininterrupto de aprimoramento pessoal. A harmonização do consciente com o Self. O caminho para a iluminação. Todos estamos num processo de Individuação, no entanto, a grande maioria não o sabem. Mas os que estão suficientemente conscientes deste processo, podem tirar algum proveito disso.
Mas não é assim tão é fácil: o ego reclama, pois se sente tolhido em suas vontades ou desejos, e projeta essa frustração sobre qualquer objeto exterior (Deus, a economia, o vizinho, o namorado(a) ou o trabalho). Algumas vezes tudo parece estar bem com a pessoa, mas no íntimo ela sente tédio e um vazio mortal. Há também o perigo de identificação com a Persona. Aqueles que o fazem tendem a tentar tornar-se perfeitos demais, incapazes de aceitar seus erros ou fraquezas, ou quaisquer desvios de sua auto-imagem idealizada. Aqueles que se identificam totalmente com a Persona tenderão a reprimir todas as tendências que não se ajustam, e a projetá-las nos outros, atribuindo a eles a tarefa de representar aspectos de sua identidade negativa reprimida.
Há alguns estágios básicos para a Individuação, que são: reconhecer as máscaras (persona), confrontar a Sombra, a Anima / Animus, e finalmente, o desenvolvimento do Self. Mas não pensem que acaba por aí, ou que isso seja fácil. É necessário ter em mente que, embora seja possível descrever a Individuação em termos de estágios, o processo é bem mais complexo que isso. Todos os passos mencionados sobrepõem-se, e as pessoas voltam continuamente a problemas e temas antigos (espera-se que de uma perspectiva diferente). A Individuação poderia ser apresentada como uma espiral na qual os indivíduos permanecem se confrontando com as mesmas questões básicas, de forma cada vez mais refinada. Este conceito está muito relacionado com a concepção Zen-budista da iluminação, na qual um individuo nunca termina um Koan, ou problema espiritual, e a procura por si mesmo é vista como idêntica à finalidade. É como falei em outro post: a vida é um eterno Saindo da Matrix.
*Nota: Este Post foi originalmente publicado no blog Saindo da Matrix, e é de aoutoria do criador deste.
Francisco M. Silva soprou estas palavras ao vento às
8:57 AM
Cerca de cinco séculos e meio antes da vinda de Cristo, a onda de genialidade que pareceu florescer em várias das mais importantes civilizações da história também deixou suas marcas na China. Enquanto na Grécia nomes como Pitágoras, Heráclito, Arquimedes e, logo adiante, Sócrates e Platão, dentre outros, marcavam os sulcos de uma nova etapa no pensar humano no ocidente e na Índia, Buda lançava as raízes de um novo e original movimento espiritual, a China via surgir dos movimentos que, embora tomando caminhos diferentes, são em tudo complementares: o espiritualismo sutil do taoísmo de Lao Tse e a ética social de Confúcio, e é esta figura extremamente curiosa, que tão fortemente influenciou a civilização chinesa, ao ponto de se confundir a noção que temos do comportamento típico chinês com a sua doutrina, que iremos conhecer agora, em linhas muito gerais, sem muito aprofundamento.
Foram os missionários jesuítas de fins do século XVII que apresentaram ao ocidente os primeiros traços de Confúcio. Aliás, devemos a eles até mesmo o nome com que o conhecemos no ocidente, já que o nome Confúcio (no original, Confucios) é a forma latina sob a qual eles acharam melhor traduzir o nome Kung Fu-Tse, "O Mestre Kung", como era realmente conhecido na China.
Nascido em aproximadamente 551 a.C., Confúcio era descendente de uma família nobre, mas que ocupava, à época, uma posição pouco significativa - diríamos das camadas mais baixas da nobreza - no estado de Lu, no sudueste da China.
Ao que tudo indica - no que podemos extrair das brumas de seus primeiros anos -, Confúcio teve uma infância atribulada, era um tanto desajeitado, de enorme estatura (para a época, ter mais de 1,80 m, como sera seu caso, era algo que impressionava), perdeu seus pais muito cedo e tinha um aspecto, para dizer o mínimo, desprovido de encantos físicos. Tudo isso, porém, parece tê-lo feito voltar-se para si mesmo e, neste aspecto, tê-lo feito compreender e sentir o valor que o contato íntimo com outras pessoas, em especial o real contato que transcenda as aparências para a aceitação do outro pelo outro, era a única forma de trazer harmonia e paz de espírito aos homens, fazendo do sentimento de irmandade o lastro para a paz social. Em sua época, a China começou a se esfacelar em inúmeros estados feudais, onde cada soberano queria impor suas regras aos demais. Este processo de fragmentação minava a tradição chinesa anterior que via na ordem natural e social o fator chave para a vida em comunidade. Este processo teve um grande impacto também em outro gênio da China, Lao Tse, o grande filósofo e místico que, ao se retirar da vida pública por achar que não mais havia lugar para ele em meio às turbulências políticas de sua época, deixou, porém, sua herança numa obra de grande valor, o Tao Te King, onde estava exposto as bases de um amplo movimento espiritual, o Taoísmo, que tão grande influência exerceu sobre a prática da medicina chinesa.
Ao cabo de um grande esforço intelectual e retidão moral, Confúcio logo logrou obter a fama de excelente professor e, com isso, foi tomado como precptor e mestre dos filhos de um alto dignatário da Casa Real de Lu, seu estado natal e, por capricho do destino, o real mandatário daquelas terras.O seu sucesso como professor e homem de idéias o levou, posteriormente, a ocupar um cargo de maior envergadura pública, algo ao qual ele aspirava há anos para por em marcha seu plano de reformas sociais. Foi como administrador público que sua fama obteve grande repercussão, como podemos obter desta descrição dos "Analectos":
"Ele baixou regulamentos para a efetiva alimentação dos vivos e para o enterro dos mortos. Velhos e jovens recebiam comida diversificada, fortes e fracos tinham funções diferenciadas (...)" (Brunner-Traut, org., 1999, p. 182)
Para Confúcio era por demais óbvio que uma boa administração deveria não só zelar pelo bom andamento da coisa pública, mas - e principalmente - cuidar dos meios de uma vida digna e feliz para seu povo, pois o Estado é que foi feito por e para o povo e não o inverso como, infelizmente, tantas vezes pareceu ser na história e, nos atuais dias "modernos" e neolíbero-globalizado, passou a ser joguete dos interesses de empresas multinacionais poderosas. Para Confúcio, assim como pouco mais adiante faria Platão e, bem depois, tentaria Maquiavel - com pontos de vista bem menos idealistas -, sua compreensão da boa forma de administração o obrigava ao papel de professor e exemplo para príncipes e reis em toda a China. Não que ele quisesse ser um deles, mas sim pela obrigação de lembrar-lhes que eles tinham nascido para cumprir um papel e uma obrigação profunda para com o Estado, nunca devendo esquecer que são eles os representantes não tanto de seus interesses, mas do povo ao qual têm a obrigação de governar, até mesmo para o seu próprio bem-estar.
As idéias de Confúcio, apesar te terem iniciado um período de relativa paz entre Lu e estados vizinhos, bem como crescente contentamento popular, foi vista com desconfiança por outros senhores feudais, pois, se elas extravasassem as fronteiras de Lu, poderia ameaçar o poder de outros senhores bem menos voltados à reformas sociais. Para poderem emperrar o processo de reformas, alguns senhores resolveram usar de um estratagema que se mostrou extremamente eficaz. Eles resolveram presentear o senhor de Lu com um grupo das mais belas e talentosas jovens de seus domínios. O jovem e volúvel senhor de Lu ficou de tal modo encantado com os dotes artísticos e sexuais das jovens que, simplesmente, cancelou todas as suas funções por quase uma semana, tendo, ainda, negligenciado suas tarefas nos meses posteriores. Isso foi um duro golpe à imagem de austeridade autruísta que as Reformas de Confúcio tinham iniciado, e não restou ao ferido Mestre Kung outra alternativa que não o de abandonar a corte. Desde então, Confúcio iria percorrer parte da China buscando por um outro príncipe que lhe permitisse reiniciar suas reformas em outra corte, sem sucesso, por treze anos ininterruptos.
Acreditando que sua proposta acabaria por ser ouvida por algum senhor feudal, Confúcio perambulou, junto com seus discípulos mais chegados, por boa parte do centro-sul da China. Frustrado e abatido, o Mestre Kung, apesar de ser ouvido com admiração por muitos, não logrou conquistar seu intento. Precedido quase sempre pela propaganda formulada por seus inimigos (e como é eficaz esta prática, não? ), frequentemente Confúcios era ouvido sendo, por trás, ridicularizado. Diante da incompreensão, inveja e despeito, suspirava Confúcio: "Não posso conviver com os pássaros e com os animais selvagens; e se não me é permitido conviver com essa geração humana, com quem então? Se o mundo estivesse em ordem, não necessitaria de alguém teimoso como eu para modifcá-lo".
Cansado e convencido da estreiteza de visão dos soberanos de sua época, Confúcio decide voltar à sua terra, como mestre público, dedica à divulgação das idéias da tradição mais nobre da China.
O papel da propaganda contra as idéias de Confúcio conseguiu seu intento, como a dos Fariseus conseguiu o seu e o da burguesia Américo-Brasileira tem conseguido nas últimas eleições. Até mesmo as pessoas mais simples conheciam a fama de Confúcio, mas não como Mestre, mas como um sonhador perigoso ou inútil, como fica claro neste texto:
"Tzen-lu pernoitou junto a um portão de pedra. O guarda do portão falou: 'De parte de quem?' Tzen-lu respondeu: "De Kung Fu Tse". Então disse o guarda: 'Não é aquele que sabe que o que pretende não fuciona, e que, assim mesmo, insiste?' (Lun yü, 14141).
Retornando à sua província natal, Confúcio estava já chegando aos setenta anos de idade. Alguns de seus discípulos conseguiram cargos importantes em carreiras públicas, mas o velho mestre já havia desistido qualquer trabalho nessse sentido. Resolvera se dedicar unicamente ao magistério, vivendo do que lhe davam os alunos e discípulos, nada cobrando, porém, dos mais pobres. Foi nesta época que ele se dedicou a escrever textos próprios e a organizar os livros clássicos chineses, entre eles, o I Ching.
As lutas intestinas na China deixaram ainda mais tristes os últimos dias de Confúcio sobre a terra. Frustrado e desesperançado, ele acreditava que sua vida tinha sido inútil. Chegou a expressar sua desesperança de forma tocante neste texto: "O pássaro Feng" (o equivalente chinês da mitológica ave Fênix) "não vem; as mutações não trazem nenhum plano básico. Eu estou acabado".
Confúcio morreu no ano 479 a.C. Seus discípulos coletaram seus escritos e os registros de seus discursos e levaram adiante a mensagem do mestre de uma Ética para a paz da China. Hoje, o confucionismo é a principal escola filosófica do país, e não foi à toa que a Revolução Comnista de 1949 teve ampla aceitação e ampla resistência do Ocidente, já que as principais metas a que se propunha era restaurar a dignidade da China (perdida pelo domínio dos países europeus que faziam da China um quintal onde explorar riquezas e mão de obra especializada) e reergue-la tendo com máxima o bem estar coletivo, em moldes muito próximos ao que sonhava Confúcio.
II - A Doutrina
Estas são algumas transcrições dos ensinamentos de Confúcio, apenas para se dar uma idéia de seus ensinos:
"Um jovem em casa deve amar os pais, e fora de casa respeitar os velhos. Deve ser discreto mas, ao mesmo tempo, falar com convicção quando se fizer necessária a sua ação; deve amar a todos os homens, sem distinção, e alegrar-se com as pessoas de bom coração. Se assim se portar, terá condições de bem se governar e a outros".
"Se tiverdes acesso à fama, comporta-te como se estivesses a receber um hóspede; se estiverdes no governo de um povo, comporta-te como se estivesses pronto a oferecer um grande sacrifício".
"Para onde quer que fores, vai todo, leva junto teu coração".
"Não te suponhas tão grande ao ponto de pensares ver os outros menores que ti".
"Lembre sempre que existes porque existiram outros antes de ti".
"Se queres demosntrar como queres ser tratado, trata desta forma primeiro aos demais".
"Se o povo for conduzido apenas por meio de leis e decretos impessoais e se forem trazidos à ordem apenas por meio de punições, ele apenas procurará evitar a dor das punições, evitando a transgressão por medo da dor. Mas se ele for conduzido pela virtude e trazido à ordem pelo exemplo e pels ritos em comum, ele terá o sentimento de pertencer a uma coletividade e o sentimento de vergonha quando agir contrário a ela e, assim, bem se comportará de livre e espontânea vontade".
Confúcio se via apenas como um professor e, no máximo, reformador social, sem querer formar uma religião ou mesmo uma doutrina com traços próximos ao de uma religião. Não se apresentava como um homem santo e nem especulava ou ensinava sobre os mistérios do universo. Respeitava aquilo que ele chamava de "nível transcendente do mundo" e exigia que da mesma forma como é necessário uma ética para com os homens, assim deveria haver o mesmo respeito para com a divindade, mas não se aprofundava em discorrer sobre as relações do homem com o Divino, pois julgava que elas se tornariam mais puras à medida em que mais puras fosses as relações dos homens entre si. Seu empenho pleno era o de que o homem agisse moralmente, de acordo com os ditames do coração e da razão, pois o indivíduo só se desenvolvem plenamente no meio do coletivo que o sustenta e o eleva ou rebaixa. Assim, pois, é contrivertida a classificação do confucionismo como religião, no sentido convencional do termo.
João Pessoa, Paraíba, sábado, 16 de outubro de 1999.
Bibliografia
Confúcio. Os Analectos. São Paulo, 1987, Editora Cultrix
Brunner-Traut, Emma (0rg.) Os Fundadores das Grandes Religiões. Petrópolis, Ed. Vozes, 199
Francisco M. Silva soprou estas palavras ao vento às
11:17 AM
9.12.03
"Definitivamente, eu não acredito numa única teoria científica; considero-as apenas como um bom argumento para explicar as coisas, enquanto não aparecer um outro melhor"
Francisco Maximiano da Silva
Francisco M. Silva soprou estas palavras ao vento às
1:22 PM
Meus Poemas
Em minha arte, chamarei qualquer texto que se queira de poesia, até mesmo uma receita culinária, ou - para alguns - o não-texto de uma equação.
Colocarei apenas uma regra, uma condição, para temos então poemas de não-poemas: Serão considerados poemas todos os textos capazes de tocar a alma ( psiké ), ou, provocarem reflexão, seja pelos sentimentos que invocam no leitor, ou as lembranças - calmas, ou calmas em fúria - que trazem à mente.
Assim, todas as ridículas cartas de amor, que não seriam de amor se não fossem ridículas, são poesias, e o seu diploma escolar - quem sabe - também.
Assim! Ah ...!
Assim, aquele ah! exclamativo.
Assim, aquela foto.
Assim ..., tão só aquela lembrança!
Assim, aquele abraço apertado - que poderia ter sido eterno.
Assim, aquela receita de sopa de espinafre - que o Francisco não gosta, mas eu ( Frank Leber ) adoro.
Ah ..., assim muitas coisas,
São Poesias!
Frank Leber ( Uma persona psiks-literis do Francisco Maximiano da Silva )
Francisco M. Silva soprou estas palavras ao vento às
11:17 AM
No final dos anos 60 e início dos 70, quando Bruce Lee apareceu pela primeira vez nos filmes de Artes Marciais, sua reputação cresceu rapidamente, proporcionalmente aos seus expressivos socos e chutes.
Pessoas do mundo inteiro começaram a conhecer o Gong Fu.
O Gong Fu tornou-se moda, e muitas pessoas iniciaram as suas buscas por academias, matriculando-se em qualquer escola que encontravam. Mas, o Gong Fu continuava a ser um mistério, e essas pessoas não podiam reconhecer nele uma arte genuína. Desta forma, alguns charlatões, sem verdadeira qualificação, começaram a ensinar "Gong Fu" visando ganhar dinheiro.
Alguns deles, que tiveram uma base em artes marciais japonesas ou koreanas, e talvez uma pequena experiência em algum estilo chinês, modificaram os seus estilos ou os nomes dos mesmos, denominando-se "Faixas Pretas" ou "Faixas Vermelhas" em Gong Fu.
No entanto, Gong Fu não requer originalmente sistema de faixas que diferencie o grau de praticante. O sistema de faixas coloridas foi desenvolvido mais recentemente por razão de classificação (e em alguns casos, por razões comerciais), e não necessariamente identifica o grau do praticante. Alguns foram tão longe que disseram ter inventado um novo estilo de Gong Fu, intitulando-se "Mestres" e até "Grão-Mestres" do estilo.
Tradicionalmente, verdadeiros "Mestres" ou "Grão-Mestres" nunca devem se apresentar como tal, expressando ou escrevendo tais títulos. Humildade e esforço são essenciais para melhorar o sentido de um verdadeiro artista marcial, o qual deve reconhecer que sempre tem mais a aprender e aperfeiçoar em seus estudos e pesquisas.
Além disso, se o próprio professor ainda estivesse vivo, seria considerado vaidade e desrespeito a auto-intitulação como "Mestres" ou "Grão-Mestres".
Alguns indivíduos inventaram novas formas, e declararam que estas eram antigas e secretas, e disseram que eram as únicas pessoas a ensiná-las no mundo.
Outros tentaram dizer aos seus alunos que conheciam algumas formas secretas, que seriam passadas somente para discípulos "Closed Door".
Eles cobravam taxas exorbitantes para que os alunos aprendessem tais formas.
Embora o termo "Closed Door" tenha existido há séculos, nunca se sustentou uma relação de rápido retorno financeiro.
Na verdade, consistia em passar a arte para os alunos mais devotados.
Recentemente, em alguns casos, alguns professores raspam as cabeças e se declaram monges Shaolin, nascidos e educados no Templo. No entanto, estes "monges de papel", na verdade, têm famílias esperando por eles na China para sustentá-las. Outros ainda, com pequena experiência, declaram ser descendentes diretos do fundador da arte somente para vender ¿credibilidade¿, em séries para vídeos ou livros.
Primeiramente, fico feliz em ver muitas pessoas divulgando o Sistema Louva-a-Deus. Entretanto, quando vejo alguns destes vídeos ou livros, encontro muitas técnicas interpretadas erroneamente.
Alguns autores têm pouco conhecimento do verdadeiro sentido do estilo Louva-a-Deus.
Todos estes exemplos de ensino fraudulentos têm, com o passar dos anos, poluído o nome Gong Fu. Como um descendente de linhagem direta do fundador do Louva-a-Deus, é minha meta restabelecer o bom nome do Gong Fu Tradicional. A minha recomendação é a de que, não importa qual arte você pratique, você selecione uma escola legítima, com um professor qualificado, quem tenha anos de experiência para oferecer, ao invés de propagandas fantasiosas ou truques publicitários. Somente praticando em uma escola com essas características, você poderá desfrutar da recompensa de aprender técnicas que têm sido praticadas há séculos.
Título original: Charlatans. Trad. Samuel Mendonça. Publicado no 15th Anniversary, Praying Mantis Martial Arts Institute, NY, USA, p. 86. O autor é a 9ª geração do estilo Louva-a-Deus do Norte, tendo sido autorizado a ensinar o Sete Estrelas pelo
Grão-Mestre Brendan Lai e o Tai Chi Praying Mantis pelo Grão-Mestre Chiu Chuk Kai.
Francisco M. Silva soprou estas palavras ao vento às
11:10 AM
4.12.03
E do outro lado do Espelho, tem um certo gato que fala...
"Somos todos loucos por aqui. Eu sou louco. Você é louca", disse o Gato.
"E como é que você sabe que eu sou louca?", perguntou Alice.
"Você deve ser", disse o Gato, "senão não teria vindo para cá."
- Lewis Carroll
Francisco M. Silva soprou estas palavras ao vento às
9:03 AM
2.12.03
Conhecimento Interior
"Até mesmo na atividade de aprender uma disciplina qualquer, o professor nada mais pode fazer que orientar e esclarecer dúvidas, como um lapidador tira o excesso de entulho do diamante, não fazendo o próprio diamante. O processo de aprender é um processo interno, e tanto mais eficaz quanto maior for o interesse de aprender. Só o conhecimento que vem de dentro é capaz de revelar o verdadeiro discernimento."
Francisco M. Silva soprou estas palavras ao vento às
2:22 PM
1.12.03
Um abraço e uma lembrança
Lembro-me como se fosse hoje, da alegria que senti ao ser convidada pelo Tarciso, a fazer parte do Aos 4 ventos.
E o mais interessante, é que o Blog já estava linkado lá no PI, e eu nem sabia que o idealizador era ele, o Tarciso.
Desde então, todos temos passado por momentos alternados de empolgação e desânimo. O que , convenhamos, nem é novidade para nós blogueiros.
Há momentos em que a vida lá fora demanda muita atenção, e é como se gritasse por nós, pedindo socorro. Nestes momentos o melhor a fazer é concentrar todos os nossos esforços para que tudo volte logo à normalidade. E ela volta...volta sim.
Então, mais tranquilos e equilibrados, voltamos aos nossos escritos, aos pequenos prazeres do dia a dia, sem contudo sentirmo-nos culpados ou negligentes.
E os amigos e companheiros de jornada, os reais e também os virtuais, compreendem, porque sabem e reconhecem nosso esforço. Mais que isso: torcem verdeiramente por nós.
E eu, neste momento de transição tão delicado, tenho apenas a agradecer, a todos os que têm torcido por mim.
À todos os companheiros aqui do blog, aos leitores, os visitantes ocasionais.
Vocês são uma parte muito importante de mim.
Um grande beijo, e um forte abraço.
Até mais!
Bia soprou estas palavras ao vento às
9:33 AM
Se as coisas são feitas para serem usadas e as pessoas para serem amadas, por que amamos as coisas e usamos as pessoas?????
Francisco M. Silva soprou estas palavras ao vento às
8:42 AM